- By Rodrigo Braddock
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O anúncio do investimento de R$ 100 milhões para a construção da Marina Pública em Pontal do Sul não é apenas uma obra de engenharia, mas o reconhecimento de uma vocação geográfica que esperamos há décadas. O projeto marca a transição de Pontal do Paraná, que deixa de ser apenas um corredor logístico para a Ilha do Mel para se tornar protagonista na "Economia Azul" do estado.
Quem conhece a dinâmica do nosso litoral sabe que Pontal do Sul sempre operou muito abaixo do seu potencial náutico. Temos a localização privilegiada e a proteção natural, mas faltava a infraestrutura de ponta. A escolha do Canal DNOS para sediar este empreendimento é técnica e estratégica, pois trata-se de uma área abrigada, com acesso rápido ao mar aberto e condições oceanográficas favoráveis. No entanto, para transformar maquetes em desenvolvimento real, é preciso olhar para a profundidade do projeto.
Muito além das vagas: A "Retroárea" e a Cadeia Produtiva
O projeto impressiona pelos números, com previsão de 478 vagas entre secas e molhadas, heliponto e um complexo com 16 unidades comerciais. Mas a verdadeira revolução econômica de uma marina não acontece na água, e sim em terra, no que chamamos de "retroárea". Ao atrair embarcações de médio e grande porte, Pontal do Sul precisará ativar uma cadeia de serviços técnicos que hoje é escassa.
Estamos falando da demanda imediata por manutenção especializada, abrangendo mecânica de motores navais, eletrônica de bordo, pintura e reparos em fibra de vidro, além da necessária logística de suprimentos, pois o abastecimento dessas embarcações movimenta desde o posto de combustível até o mercado de luxo e a gastronomia local. Este é o primeiro grande desafio positivo, que traz a oportunidade de qualificação da mão de obra local para que os salários de alto nível fiquem no município, evitando a importação massiva de profissionais de outros estados.
O Desafio da Engenharia: Dragagem e Navegabilidade
Para que a marina opere com sua capacidade máxima e receba barcos que realmente agreguem valor ao turismo, a manutenção do calado do Canal DNOS será vital. A região sofre com o assoreamento natural, comum em áreas estuarinas, e o sucesso do empreendimento a longo prazo dependerá de um plano robusto e constante de batimetria e dragagem. Garantir a navegabilidade segura não é apenas um detalhe técnico, é a garantia de que a marina não se tornará obsoleta, permitindo que Pontal do Sul compita de igual para igual com as marinas consolidadas de Santa Catarina.
Mobilidade, Infraestrutura e Sustentabilidade
Não há como dissociar o desenvolvimento náutico da infraestrutura rodoviária. A chegada de um empreendimento deste porte coloca ainda mais luz sobre a necessidade de melhorias na PR-412 e nos acessos locais, pois o turista náutico e os prestadores de serviço exigem mobilidade. O projeto da marina funciona, portanto, como um catalisador para acelerar outras obras estruturantes, criando um ciclo virtuoso onde o investimento na ponta da praia exige a melhoria do asfalto que leva até ela.
Além disso, um dos pontos mais maduros do projeto preliminar é a inclusão de estruturas voltadas à comunidade tradicional, como o espaço dedicado à limpeza de pescado. A nova marina tem o potencial de organizar o espelho d'água, oferecendo saneamento e estrutura onde hoje existe improviso, sendo o licenciamento ambiental rigoroso o guardião desse equilíbrio.
Próximos Passos e Perspectivas
É importante manter os pés no chão quanto aos prazos, visto que estamos falando de uma obra complexa. Segundo a Agência Estadual de Notícias, o cenário atual envolve estudos técnicos e ambientais aprofundados, com previsão de formalização do convênio com a Prefeitura e início dos processos licitatórios para o ano de 2026.
O investimento de R$ 100 milhões coloca Pontal do Sul em um novo patamar de discussão. Deixamos de falar apenas sobre "movimento de temporada" para falar sobre uma indústria náutica perene. Pela primeira vez em muitos anos, Pontal do Paraná olha para o horizonte com a certeza de que seu maior patrimônio, o mar, será finalmente tratado como vetor de desenvolvimento.
Análise baseada nos dados oficiais do Governo do Estado do Paraná e Agência Estadual de Notícias (AEN).
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