- By Rodrigo Braddock
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A Tartaruga de Pontal não nasceu como marca, nem como produto de prateleira. Ela nasceu da convivência. São mais de 40 anos em Pontal do Sul observando o tempo passar, as mudanças, as pessoas chegando e indo embora, enquanto algumas coisas permanecem em silêncio.
O que permanece
A tartaruga sempre foi uma dessas constantes. Ao longo dessas décadas, houve raríssimas aparições de tartarugas gigantes na nossa região. Quem viu, não esquece. Não pelo espetáculo visual, mas pelo significado de resistência.
2020: Quando deixou de ser só memória
Em 2020, isso deixou de ser apenas uma história antiga de pescador. Eu estava lá.
A tartaruga havia subido à praia, desovado e retornado ao mar. O local estava isolado e protegido. Os ovos ficaram ali, enterrados na areia, aguardando o tempo certo da natureza para virar vida. Ficar ali, diante daquele ponto protegido, sabendo que dali sairiam dezenas de filhotes, foi algo difícil de explicar. Não era curiosidade de turista. Era respeito.
Alguém comentou na hora que o animal poderia ter cerca de 500 quilos. O número técnico pouco importava. O que impactava era a noção de um ser que atravessa oceanos inteiros e escolhe voltar exatamente para este lugar.
O sentido do projeto
Foi ali, há cerca de cinco anos, que tudo fez sentido. Começou a se formar a ideia de fazer algo que respeitasse o tempo do lugar e a vida que passa por aqui.
A Tartaruga de Pontal nasce desse ponto exato. Não é uma homenagem vazia. É um símbolo de cuidado, de retorno e de responsabilidade com o território.
Um símbolo simples e verdadeiro
O logo foi pensado sem frescura. Um círculo que representa continuidade e proteção. A tartaruga no centro não está ali por estética, mas porque ela já esteve aqui de verdade. As cores conversam com o que temos: a Mata Atlântica, o mangue, a restinga e o equilíbrio entre terra e mar. Nada é moda. A ideia é permanecer.
Não é sobre vender
As camisetas que você vê não foram criadas para o comércio. Elas funcionam como um manifesto visual. É um jeito silencioso de carregar essa história no peito. Vestir a Tartaruga de Pontal é assumir um compromisso com o lugar e com quem vive nele.
Quem faz o lugar existir
O projeto também nasce de uma necessidade urgente: dar visibilidade a quem quase sempre passa invisível.
Falo da tia que vende água gelada na areia todos os dias, faça chuva ou sol. Do tio que conserta a geladeira quando tudo para no verão. Do pescador, da costureira, do pedreiro, do eletricista, do dono do pequeno mercado, do bar simples, do vendedor de milho.
São essas pessoas que fazem Pontal do Sul funcionar. Elas não aparecem nos anúncios de turismo, mas são elas que sustentam o cotidiano do lugar.
A Tartaruga de Pontal existe para organizar, registrar e valorizar essas presenças reais. Sem exagero, sem maquiagem. É um projeto que não tem pressa. Cresce no tempo certo, assim como aqueles ovos de 2020.

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